quarta-feira, 26 de maio de 2010

A carta da Amazônia


Criador, escrevo esta carta para te pedir socorro! Sei que fui criada para dá alimento, moradia e proteção ao homem, mas ele esqueceu que somos irmãos e de que um necessita do outro para sobreviver.
Meu Senhor, eu sou um exemplo de tua presença e de teu amor pela humanidade, dentro de mim colocou a maior biodiversidade, o maior rio em volume d’água, o maior arquipélago fluvial, a maior bacia fluvial e a maior floresta tropical do mundo. Porém vejo garimpeiros causando assoreamento nos meus rios e grileiros pirateando minhas terras.
Amei tanto o bicho homem a ponto de deixá-lo extrair minhas seringueiras, caçar meus animais, usufruir de meus rios como fonte de energia e meio de transporte, e ainda permiti que desfrutassem das minhas plantas como remédios, renda ou alimento sem por limites. Como recompensa ele me destrói a cada momento, através da poluição, do desmatamento, da mineração, das queimadas, sem saber que em cada folha no chão, em cada animal morto, em cada gota d’água ou em cada arvore queimada está uma morrendo uma parte dele.
Vejo calada a destruição das matas e da própria humanidade, entretanto as minhas lagrimas estão presentes no olhar distante do índio, no grito inocentes dos animais quando caçados predatoriamente, nas secas dos rios, nas queimadas e no sangue de tantos mártires que sem medo lutaram por mim, como Chico Mendes, Irmã Dorathye outros.
Hoje 16 % de mim já foi destruído e daqui alguns anos posso não mais existir, então só haverá lamento, fome, morte e a destruição completa, o fim de tua obra tão preciosa.
Mas sei que não vai me abandonar e espero ansiosa a sua resposta.


Com amor e gratidão
A Amazônia.

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